Pacific RIM é cópia de UED e nossa Síndrome de Vira-Lata

ViraLata

Sim, esse é um daqueles posts com um título bem “pedante” para fazer você clicar e dar uma olhada, mas eu prometo que é por uma boa causa. E se você achou a imagem aqui em cima algo bem estranho (talvez até uma montagem mal feita, confere a original clicando aqui.

Não, eu não acho que Pacific RIM, novo filme de ficção científica do diretor Guillermo del Toro tenha copiado nada que fizemos, e acredito seriamente que nem ele, nem a produção dele, fazem alguma ideia que a gente exista. Acredito sim que isso é fruto de um Zeitgeist óbvio do gênero!

(se ele souber que existimos, que alegria!) 😀

Mas não poderia deixar de aproveitar esta oportunidade para colocar em debate algo que acomete a produção brasileira de jogos (na verdade de muitas mídias, mas eu vou me focar no segmento de jogos). Durante os bate papos na comunidade RPG Indie, volta e meia falamos da produção, das atitudes dos novos produtores e também do comportamento do público frente a essa produção e se percebe ainda um grande primazia da Síndrome de Vira-Lata. Ao que parece, nós brasileiros precisamos que sempre alguém venha até a gente dizer que algo é realmente bom, ou que podemos ou devemos fazer algo de determinada maneira, ou mesmo se algo é “válido” ou está “dentro do gênero”.

Ora amigos, se nós podemos ter ideias muito semelhantes a escritores e designers de uma das indústrias de cinema mais caras do mundo, o que difere eles de nós aqui criando coisas? Absolutamente nada!

Claro que a grana envolvida e o ambiente favorecem, mas o principal elemento diferenciador é a coragem de fazer, de levar suas ideias a cabo, a insistência na busca pelo conhecimento para melhorar e o posterior reconhecimento do público. Perceba que tudo começa na sua ação, na vontade e persistência, na cabeça aberta para refletir e na sabedoria para errar e aprender e também observar o erro alheio e aprender mais ainda.

Durante o bate-papo com  John Wick no Botequim dos Jogos, uma pessoa perguntou “O que eu preciso para ser um Game Designer?”, ao que o John solenemente respondeu “Faça um jogo! Foi o que eu fiz?”, ou você acha que o John Wick começou criando “Blood and Honor“?

Não espere ninguém dizer que seu trabalho é legal para começar, ou preencher determinados requisitos, para só então ir a luta. Faça! Erre, aprenda, faça de novo… é um ciclo que não tem fim! Se alguém disser: “Nossa, isso é igual o filme XYZ ou isso eu já vi em XPTO” não importa. É a sua versão e trabalhe para que ela fique melhor do que aquilo que “dizem que ela parece”. Talvez um dia ela é que se parecerá com o que você fez… vai saber né! 😉

Enfim, é mais do que hora de espantar essa síndrome de Vira-lata de nossa produção de jogos. Muita já foi feito, e tem uma galera de altíssimo nível trabalhando, mas poderíamos ser mais, e estarmos contagiando ainda mais pessoas nesse processo.

Certa feita eu comentei no twitter: “Não seria interessante fazermos campanha para as pessoas comprarem jogos Brasileiros?” ao que muitos me responderam “Temos que fazer campanha para as pessoas comprarem jogos bons!”. Ou seja, façamos bons jogos, e não importará sequer de onde eles vieram (ou talvez até uns gringos “stalkers” venham a te copiar) 😉

 

Bora trabalhar que o #RPGenesis2013 vem aí!

 

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Postado em UED

4 pensamentos sobre “Pacific RIM é cópia de UED e nossa Síndrome de Vira-Lata

  1. É isso aí, Júlio! Brasileiro tem muito dessa sídrome de vira-lata em todos os segmentos. Acompanho o desenvolvimento da ficção científica nacional também, e por mais que neste quesito ela já tenha andado um pouco, quantos conhecem os excelentes autores nacionais? É como você disse, está na hora de investir em jogos e livros bons, e não nacionais ou importados.

    • Realmente tem muita qualidade nos autores nacionais de Sci-Fi, mas há também uma deficiência na promoção. Tem uma galera muito boa, mas também mal promovida. É um “gap” que ainda precisamos cobrir.

  2. Ótimo artigo. Acho que aos poucos isso tá mudando, mas para que a mudança seja completa, precisamos mudar estruturalmente nossa própria visão daquilo que nós mesmo fazemos em relação a arte e a cultura.

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