#UED – O Mundo de Amanhã | Crônicas da Resistência I

Cronicas

Escolhas

O Sol era um esfera laranja, alguns poucos metros acima do horizonte àquela hora do dia. No inverno rigoroso e permanente, as vezes é difícil perceber que altura do dia você se encontra. O céu não é mais azul como Foxy vira em uma fota nas revistas que desenterrou no aglomerado. Ele é sempre branco… as vezes mais acinzentado e as vezes menos. E o sol é um bola vermelho alaranjada que cruza de um lado ao outro. Escuro e claro normalmente são as únicas diferenças que se observa em um dia.

O frio no entanto é sempre igual.

Ainda mais para Alexya, que ficara responsável de cobrir a aproximação dos Dentes de Ferro naquele objeto estranho que encontraram no meio do nada. É fácil se distrair depois de horas deitada sobre a neve. Mesmo que seu traje lhe conceda cem porcento de proteção contra os 48º Celsius negativos, ela consegue sentir o frio apenas de olhar pra ele. Nesta Terra você consegue olhar o frio nos olhos.

Por um instante ela pensou ser uma extensão de seu devaneio, mas o instinto de combatente fez com que rapidamente retomasse sua prontidão ao perceber dois vultos que se movimentavam ao longe. Os outros Runners estavam dentro do objeto ainda, que se projetava para o o chã como uma caverna. Talvez fosse uma nave gigante soterrada, mas da distância onde Alexya estava, não havia como saber. Só os outros a essa altura sabiam. O que realmente era importante eram aqueles dois vultos que se aproximavam.

Pela luneta de seu rifle ela podia enxergar turvamente os vultos, aparentemente enrolados em trapos espessos. Não consegui distinguir seu tamanho e uma neve fina dificultava mais ainda seu discernimento. Em primeira análise, admitiu que fossem renegados, seres humanos reduzidos a selvageria pelas provações da fome e da dor. Inimigos constantes e sempre prontos a matar e saquear Runner desavisados.

Parecia estranho que não portassem nenhuma arma. Se estavam armados, não estavam empunhando-as o que era algo que ela nunca havia visto. Renegados não se aproximam em número pequeno nem desarmados. Aqueles eram estranhos, mas estavam se aproximando, indo de pedra em pedra, como que tentando encobrir sua aproximação.

Alexya sentiu o suor escorrer em sua testa. Estava tensa pois precisava tomar uma decisão. Quando Connor estava por perto era sempre mais simples: Ele dizia o que fazer e ela executava, afinal é pra isso que serve um líder não é? Não que ela não gostasse de pensar ou não quisesse tomar suas próprias decisões. Ela é como uma raposa, rápida e inteligente.

Mas ela confiava em Connor. Ele sempre parecia estar certo.

E estava quando pediu que ela vigiasse a entrada a distância, em algum lugar seguro. Os supostos renegados se aproximam. Os problemas estão ali e Fox está sozinha para resolvê-los.

Ela engoliu em seco ao perceber que se exitasse por mais algum segundos colocaria seus companheiros em perigo. “Mas onde estão as armas desses desgraçados!” pensara.

Não sentiu exatamente quando que a dúvida se transformou em certeza e seu dedo puxou o gatilho. Mas o tiro foi certeiro como sempre é. Explodiu o peito de um dos vultos, que agora um pouco mais próximos pareciam bem menores.

Após alguns segundo, o outro vulto irrompeu uma corrida frenética em direção as rochas de onde os dois haviam saído. Um pensamento rápido “Ele vai chamar os outros”, e foz disparou seu segundo tiro não menos efetivo e letal do que o primeiro.

Quando o corpo tombou, os dentes de ferro já saíam do objeto, atraídos pelos sons dos tiros. Alexya desengatilhou o rifle e sentou recostada na rocha que lhe servia de cobertura. Estava enjoada.

Alguma coisa estava errada e ela sabia que logo entenderia o que era.

 

Connor se aproximou, falando alto o nome de Alexya, para que ela percebesse sua aproximação.

– Estou aqui Jason. – Ela disse em voz rouca.

– Você se escondeu bem desta vez Fox. – Disse o líder dos dentes de ferro, ajoelhando-se próximo de sua companheira runner.

– Diga-me que eles eram Renegados, Jason… por favor… – Estava chorando em seu traje.

– Não Alexya… eram duas  crianças… – Disse em um tom pesaroso. – Não sabemos de onde vieram, nem por que estavam aqui, mas pareciam estar bem alimentadas. Não sobreviveriam se estivessem sozinhas. Precisamos descobrir de onde vieram.

Alexya desabou em choro, abraçando os joelhos. Em meio aos soluços, embaçando o visor de seu traje, ela balbucia – Por que eu atirei Jason, por que? Eu achei que … tinha algo errado… eu sabia…

– Você atirou para nos proteger Fox – Disse Connor, colocando as mão nos ombros de Alexya – Por que foi isso que eu lhe pedi e por que precisamos sobreviver. Centenas dependem de nós, mas ainda somos apenas pessoas… e cometemos erros.

Ele segue enquanto ajuda a raposa a se levantar. – Você fez o que foi preciso… e terá de continuar fazendo, pois necessito que nos ajude a encontrar de onde elas vieram e por que estavam aqui!

Alexya, ainda aos prantos, se ergue com a ajuda de Connor. Ela hesita por alguns instantes olhando para seu rifle.

– No que foi que nós nos transformamos Jason?

O líder dos Dentes de Ferro para por um instante e sem se virar responde:
– Em sobreviventes…

 

Por Júlio Matos

 

** A Crônicas da Resistência são uma série de contos ambientados no universo de UED – Você é a Resistência!

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