Como Jogar RPG sem nenhum preparo! (Usando Dungeon World)

Olá Pessoal

Na maioria das vezes, a principal reclamação de quem joga jogos de contar histórias é que eles precisam de um certo comprometimento e uma quantidade relevante de preparação. Nos jogos que possuem a figura de Mestre/Narradora/DM, essa necessidade parece aumentar, pois é preciso muito preparo para criar uma história relevante, desafiadora e ao mesmo tempo imersiva.

Eis que Dungeon World nos traz a ideia de que é possível desenvolver uma história em conjunto, sem deixar o peso em cima apenas da pessoa que manipula todos os personagens que não são as Protagonistas. No entanto eu percebo que muita gente se atrapalha para gerar esse insights e iniciar uma história colaborativa. Por isso resolvi compartilhar o método que eu uso (e foi construído a partir das experiências com o Dungeon World)

Não parta do lugar nenhum

“Vocês estão contemplando um duelo que acaba de se encerrar, um oponente jaz morto e o outro aguarda pela aprovação dos presentes” – Uma bela primeira cena de aventura 🙂

Esse é sem dúvida a mais importante parte de uma criação colaborativa. Bater um papo com os jogadores e jogadoras antes mesmo de eles decidirem quais personagens vão jogar é fundamental para sentir o interesse do grupo. No entanto chegar com um “e aí o que vocês querem criar?” pode ser o princípio do travamento geral. A famosa “síndrome da tela branca” que acomete escritores, pintores, que as vezes jogam tinta aleatoriamente na tela para não partir do zero.

Nesse início, meu principal macete é trazer uma cena que possa conter todas os tipos de personagem (ou Arquétipos) dentro da vibe que os jogadores querem coletar. Descrever uma cena do tipo “Você estão se esgueirando por um túnel obscuro e que pulsa como um ser vivo” pode ser a centelha necessária para a abrir a criatividade do grupo. Eles vão ter que inventar como chegaram até ali, cada um criando o caminho que o levou àquele lugar e suas motivações.

Mas como que eles vão criar tudo isso do nada? Calma, agora que vem a parte mais legal.

Impulsione a história para os personagens protagonistas

Cada arquétipo de personagem é um desejo de jogo diferente. Valorize!

Quando você escolhe uma classe/raça ou arquétipo específico, provavelmente seja por que você quer muito viver a experiência de jogar com aquele personagem correto?

“Ah mas eu queria jogar com um guerreio batedor e a história é sobre investigação.” Aí está a mágica da criação colaborativa, pois a história vai virar em direção dos personagens. Para isto basta que você Mestre/Narradora/DM faça as perguntas corretas que incluam os interesses de cada Arquétipo, ou seja, o caminho que cada personagem fez e suas motivações estarão ligadas intrinsecamente ao seu arquétipo. Mas vamos a um exemplo prática para deixar tudo mais claro:

Você descreveu uma cena onde os personagens estão invadindo um Castelo em Chama, em meio a uma grande batalha campal. Entre as escolhas de personagens temos um Guerreiro, Uma Ladra, Um Bardo e Uma Maga.

Lembrando que fora esta primeira cena descrita, você não sabe nada do que virá pela frente é hora de pensar 2 perguntas para cada jogador ou jogadora considerando suas Classes.

Pergunte ao Guerreiro qual o oponente mais poderoso que ele veio enfrentar neste local e por que você nutre fortes sentimentos sobre esse oponente. Ao responder o Guerreiro definirá muito sobre quem é o dono do Castelo e como ele veio parar ali.

Pergunte a Ladra qual objeto de grande valor existe nesse local e por que ele é tão importante pra ela. Ao responder, a Ladra definirá talvez o motivo por que esse ataque está sendo feito e vários detalhes sobre o castelo.

E daí por diante, perguntando sobre a história do Lugar e quem tem o poder nessa região para o Bardo (que dará um contexto para sua história) e quais poderes místicos estão relacionados a esse local serão definidos pelo Mago. Perceba que além de apresentar suas motivações, você garantiu que a história conterá elementos que possibilitarão que cada personagem seja protagonista de um momento. Haverá Lutas para o Guerreiro, algo para ser roubado, Intrigas políticas para o Bardo e problemas mágicos a serem resolvidos.

Abaixo listo algumas perguntas de exemplo que você pode usar para “puxar a história para os personagens”. Claro que você pode adaptar para sua cena, mas use as perguntas para permitir que os Jogadores e Jogadoras criem elementos da história sem que eles fiquem travados por falta de criatividade ou criem coisas incoerentes com a narrativa como um todo.

Guerreiro

Quem é o ponente mais perigosos desse lugar e por que ele lhe conhece?

Qual a última batalha que foi travada nesta região e porque você foi o único sobrevivente?

Que perigo assola sistematicamente esse lugar e como você falhou ao enfrentá-lo no passado?

Mago

O que está atraindo cada vez mais perigos e afetando o tecido da magia nesse lugar?

Qual item místico desapareceu neste lugar e desde então nada foi como antes?

Que poderes místicos perigosos estão sendo manipulados de forma displicente pelos habitantes deste lugar?

Estas são apenas alguns exemplos  e o mais interessante é que você cria suas perguntas na hora. A única regra é pensar sempre em colocar uma pergunta na qual a resposta gere elementos que vão ser a base para que o personagem brilhe em algum momento da aventura.

E caso você queira diversas dessas dicas dentro de uma “primeira cena” que é uma caravana em fuga, pode comprar seu PDF de “A Ordem dos Últimos” que é cheio desse tipo de ideias!

 

Obrigado e até a próxima!

 

 

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4 pensamentos sobre “Como Jogar RPG sem nenhum preparo! (Usando Dungeon World)

  1. No Adventure Burner do Burning Wheel existem dicas muito boas para isso… (Não tenho certeza mas acho que essas dicas estão compiladas no Burning Wheel Codex, o Adventure Burner está esgotado). Em BW existem dois conceitos chave na preparação da campanha, eles são o cenário e a situação. Por cenário se entende os traços gerais da história e do local onde acontece a aventura: se é uma corte árabe, uma vila, um feudo, os problemas que existem ali, os conflitos internos e externos do lugar, etc… Por situação se entende uma visão específica de uma questão que precisa ser resolvida pelos personagens jogadores. O cenário é o pano de fundo, a situação é um ou poucos elementos que se destacam na pintura. O mestre precisa vir com isso: cenário e situação. De preferência com duas ou três situações no mesmo cenário ou em cenários diferentes. Mas com as situações em mente se faz um brainstorm com os jogadores dos elementos que se podem incluir ou excluir e uma escolha final de qual cenário e situação se jogará. Só então é que se criam personagens. É claro que os personagens de BW são muito mais flexíveis e moldáveis do que os arquétipos clássicos de D&D ou DW; o que torna muito mais fácil esse processo se aplicado a esses outros jogos.

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